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Não é nada disso
Imagem criada por Tânia Salgueiro via Chatgpt Não. Não é um jardim desabitado, é um espaço invadido de uma saudade exibicionista. Não. Não é um caramanchão vazio, é um templo trancado. Nenhuma oração capaz de irrigar a paz. Não. Não é um livro empoeirado sobre a mesa, é um diário interrompido. Uma biografia ceifada. Não. Não é uma xícara de café esquecida sobre a madeira envelhecida, é a premiação na loteria dos abandonos. Não. Não é sobre liberdade a cortina esvoaçante, é so

Vera Cristina Menezes
30 de ago.


Alguém como eu
Imagem criada por Tânia Salgueiro pelo ChatGPT Eu não sou ninguém quando ando pelas ruas de Nova Iorque. São tantas as nacionalidades que tropeçam no ritmo dos meus passos. São criaturas que carregam na compleição física as suas procedências, o que me diverte e assusta. Tantos desejos diferentes chegaram até aqui, justificando o caos de uma cidade insone e vibrante, a sugerir oportunidades, na maioria, ilusórias. O Empire State Building me remete a filmes que marcaram para se

Vera Cristina Menezes
12 de ago.


Nem tudo eu sei escrever
Imagem criada por Tânia Salgueiro Eu escrevo porque não recebo mais nenhuma carta, porque faz muito calor, porque detesto o frio, porque não comemoro nada em janeiro e nem todas as minhas canetas secaram. Eu escrevo porque brinco de liberdade: me desvencilho de algumas mediocridades, enquanto coloco outras na vitrine. Eu escrevo porque as palavras que conheço guardam da eternidade apenas a poeira do tempo. Eu escrevo porque os dias escorrem em lembranças e surpresas. Eu escre

Vera Cristina Menezes
3 de ago.


Naturalmente Mistério
Imagem criada por Tânia Salgueiro Lá, onde o sol abraça o céu, anunciando ciclos ininterruptos que remetem em iguais quantidades às chegadas e às partidas, forma-se uma estreita e singular unidade de tempo a partir da qual os dias podem ser contados. Nesses instantes tudo fica em suspenso, seja pelos sinais de que há um futuro sendo aquarelado, seja pelas evidências de que a despedida se aproxima, recolhendo os tons de amarelo e rosa que foram generosamente estendidos pela ma

Vera Cristina Menezes
26 de jul.


No giro do pião
Autoria da imagem: Tânia Salgueiro Por sobre o chão de terra batida, o pião gira trêmulo, embalado no alvoroço daqueles pequenos, descobrindo suas habilidades. O pião roda, acionado pelas mãos ainda não de todo crescidas em corpos ainda por serem plenamente formados. E o pião roda no susto das histórias de ninar, na obediência aos pais, bem abaixo do estranho mundo dos adultos tantas vezes interditado, roda na pureza e na quase inocência de ser criança. E o pião roda na intim

Vera Cristina Menezes
9 de mar.


A Casa do Tempo
imagem de Tânia Salgueiro Foram muitas as vezes que estivemos aqui. Desde a inauguração passamos por algumas reformas - no ambiente físico e no nosso emocional – mas, depois de quarenta anos, estão preservadas as estruturas do prédio e as nossas particularidades pessoais. Com frequência entramos nesse bar, reconhecendo quem somos e também o acolhimento da decoração que podemos descrever nos pormenores de todo insignificantes. Praticamente a nossa segunda casa. Muito provavelm

Vera Cristina Menezes
2 de mar.


A Liquidez do Tempo
Ninguém deveria nascer durante o Carnaval. Assim, seria poupado de carregar o estigma de folião, brincalhão, folgazão... Pessoa para não se levar muito a sério na intermitência de quatro dias de brincadeiras que o perseguirão por toda a vida. Nascer, dando de cara com a possibilidade de ter vindo a este mundo por um obstetra de ressaca, retirando os confetes do jaleco. Do mesmo lado , ninguém deveria morrer durante o Carnaval. Que coisa mais sem graça ter que retirar, no sust

Vera Cristina Menezes
21 de fev.
Meu Caro,
Hoje eu acordei contando as letras do seu nome e as comparei com o número delas no meu nome. Sorri porque ambos temos quantidade pares de letras, só que você tem mais duas para além das minhas quatro. Voltei a pensar que nada é muito justo nesse mundo: com menos dois sinais gráficos no meu nome, deveria ter ido na sua frente desvendar o desconhecido. Mas não foi assim, talvez porque eu tivesse mais a aprender nesta vida que você. Quem sabe tenham me deixado ficar aqui para me

Vera Cristina Menezes
28 de dez. de 2025
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